Cubas Argelinas: o coração de 1947
Únicas em Portugal. Construídas em cimento durante a guerra, viajaram da Argélia francesa para Alpiarça. Há quase 80 anos que dão respiração aos nossos tintos.
## Uma herança improvável Em 1947, o bisavô Saturnino Cunha encomendou um conjunto de cubas de cimento à Argélia francesa. Hoje são as únicas do género em uso em Portugal — paredes espessas, cantos suavemente arredondados, uma porosidade que respira sem oxidar. ## Porque importa O cimento estabiliza a temperatura sem a frieza do inox. Permite uma micro-oxigenação subtil, semelhante à da barrica, mas sem ceder aroma. É um aliado perfeito para tintos que pedem tempo: **Protagonista**, **Antagonista**, **Resiliente**. ## Manutenção que é arte Cada cinco anos repassamos o interior com tartarato. Reparamos pequenos sinais de cansaço com cuidado de restaurador. Não substituímos — estas cubas são insubstituíveis. ## O que dão aos vinhos Uma textura que reconhecemos cegamente: corpo médio, tanino macio, fruta sem maquilhagem. É o cimento argelino a falar.